Juro real do Brasil chega a 8,77% e é quase o dobro do da Turquia
Com a Selic em 13,75% ao ano e a inflação em 4,58% em 12 meses, o Brasil fica à frente de Rússia, Colômbia, Turquia e México na comparação com dados oficiais.
Por Redação Carcará Editorial ·
Assista ao vídeono YouTubeO juro real do Brasil, que desconta a inflação da taxa básica de juros, está em 8,77% ao ano, quase o dobro do da Turquia, que cobra 36%. O cálculo usa a Selic de 13,75%, definida pelo Banco Central em setembro, e o IPCA de 4,58% acumulado em 12 meses até setembro, medido pelo IBGE. Com esse resultado, o Brasil fica à frente de Rússia, Colômbia, Turquia e México na comparação feita com os números oficiais de cada país.
Juro real é a distância entre a taxa de juros e a inflação. Ele mostra quanto o dinheiro rende de fato, depois de descontada a perda de poder de compra. Por isso, um país pode cobrar juros altíssimos e, ainda assim, ter um juro real baixo, desde que a inflação também seja alta. A conta divide 1 mais a taxa de juros por 1 mais a inflação e subtrai 1 do resultado, método conhecido como fórmula de Fisher.
Juro alto não é juro real alto
A Turquia é o melhor exemplo dessa diferença. O banco central turco cortou a taxa básica para 36% em 22 de outubro, a mais alta da comparação. A inflação anual de setembro, porém, chegou a 29,73%, segundo o TurkStat, e o juro real turco fica em 4,83%.
Nos demais países, a distância também é menor que a brasileira. O Banco Central da Rússia manteve a taxa em 14% em 23 de outubro, com inflação anual de 6,35%, o que dá um juro real de 7,19%. Na Colômbia, a taxa do Banco de la República está em 12,25% desde 1º de outubro, e a inflação de setembro foi de 6,29%, segundo o DANE. No México, o Banxico manteve a taxa em 6,5% em 24 de setembro, e o INEGI mediu inflação de 3,45%.
| País | Taxa básica | Inflação em 12 meses | Juro real |
|---|---|---|---|
| Brasil | 13,75% | 4,58% | 8,77% |
| Rússia | 14,00% | 6,35% | 7,19% |
| Colômbia | 12,25% | 6,29% | 5,61% |
| Turquia | 36,00% | 29,73% | 4,83% |
| México | 6,50% | 3,45% | 2,95% |
O ranking mundial de juros reais da MoneYou com a Lev Intelligence, que compara 40 países, chega à mesma conclusão: o Brasil ocupa o primeiro lugar desde a decisão do Copom de setembro. Os números variam um pouco conforme o método, porque o ranking usa a inflação esperada para os próximos 12 meses, enquanto o cálculo acima usa a inflação já registrada. Com a expectativa do mercado no boletim Focus de 23 de outubro, de 4,53%, o juro real brasileiro sobe para 8,82%, e o primeiro lugar se mantém.
Como a Selic chegou a 13,75%
No início de 2026, a Selic estava em 15%. A partir de março, o Banco Central fez cinco cortes seguidos de 0,25 ponto: a taxa passou a 14,75% em 19 de março, a 14,50% em 30 de abril, a 14,25% em 18 de junho, a 14% em 6 de agosto e a 13,75% em 17 de setembro.
A inflação, no entanto, não acompanhou a queda. Em setembro, o IPCA subiu 0,82% no mês e chegou a 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta, de 4,5%. O centro da meta é de 3%.
O próprio Copom explica por que corta devagar. No comunicado da 281ª reunião, de 16 de setembro, o comitê afirmou que os “riscos para a inflação” seguem “mais elevados que o usual e com assimetria para cima”. Em outras palavras, o Banco Central considera mais provável que a inflação surpreenda para cima do que para baixo.
Quem paga e quem recebe
A distância entre juros e inflação pesa sobre quem deve. O governo rola a dívida pública a essas taxas, e famílias e empresas pagam mais caro pelo crédito. Do outro lado, ganham os credores: quem tem títulos públicos ou aplicações atreladas à Selic.
O Copom volta a se reunir em 3 e 4 de novembro, e a decisão sai no dia 4. Os números desta matéria são os vigentes em 3 de novembro, antes dessa decisão.