Pular para o conteúdo
Carcará EditorialAs notícias explicadas pelos números.
Política

Resultado da eleição de 2026 por estado: Lula perde no mapa e ganha na conta

Flávio Bolsonaro venceu em 13 estados e no Distrito Federal, e Lula em 13, mas a virada entre os turnos veio do Sudeste e deu ao presidente 51,79% dos votos válidos.

Por Redação Carcará Editorial ·

Assista ao vídeono YouTube

Lula foi reeleito presidente com 64.256.232 votos, 51,79% dos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro, que teve 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral. A diferença foi de 4,4 milhões de votos, embora Flávio tenha vencido em mais unidades da federação: 13 estados e o Distrito Federal, contra 13 estados de Lula. A virada em relação ao primeiro turno, que Lula perdeu, veio sobretudo do Sudeste, e Minas Gerais foi o único estado que trocou de lado.

Do primeiro ao segundo turno

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio liderava com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Outros 9,3 milhões de votos foram para os demais candidatos, e a abstenção chegou a 21,08%.

No segundo turno, em 25 de outubro, a abstenção caiu para 19,22%. Em relação à primeira votação, Lula somou 10,38 milhões de votos a mais, e Flávio, 3,72 milhões. Assim, quase três em cada quatro votos acrescentados foram para Lula.

Os dados, porém, não permitem saber quem são os eleitores que mudaram. Parte dos votos novos veio de quem escolheu outros candidatos no primeiro turno, e parte de quem não tinha votado. O TSE divulga o saldo de cada candidato, e não o caminho de cada eleitor.

Estado não vota, gente vota

No mapa, o país aparece dividido quase ao meio. O resultado, no entanto, depende do número de eleitores, e os estados em que Lula venceu são populosos e deram a ele vantagens largas: 69,37% no Nordeste, 75,88% no Piauí e 71,31% na Bahia.

Flávio, por sua vez, venceu com folga no Sul, com 62,58% dos votos válidos, e no Centro-Oeste, com 60,01%. Ele passou de 69% em Rondônia e em Santa Catarina, com 69,61% e 69,42%, e chegou a 72,46% em Roraima.

A virada veio do Sudeste

Entre os turnos, Lula ganhou 4,8 milhões de votos no Sudeste, mais que os 2,96 milhões que acrescentou no Nordeste, onde passou de 21.494.584 para 24.450.432 votos.

Minas Gerais foi o único estado que mudou de vencedor. Flávio liderava no primeiro turno, e Lula venceu o segundo com 50,43% dos votos válidos, uma diferença de 109.313 votos num estado com mais de 12 milhões de votos válidos. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio venceu com 53,85%, mas Lula subiu de 38,20% para 46,15% entre os turnos.

Depois da eleição, percentuais do primeiro turno circularam como se fossem do segundo, entre eles os 48,24% de Minas Gerais e os 51,93% de São Paulo. Os números desta matéria saem dos arquivos de totalização do TSE, com 100% das seções apuradas.

Voto e renda

O cruzamento do voto com a renda domiciliar per capita de 2025, medida pelo IBGE, mostra uma tendência: quanto maior a renda média do estado, menor costuma ser o voto em Lula. O coeficiente de correlação entre os 27 estados é de −0,50.

Os extremos da renda ilustram o padrão. O Maranhão, com R$ 1.219 por pessoa, a menor renda do país, deu 69,54% dos votos válidos a Lula. O Distrito Federal, com R$ 4.538, a maior, deu 54,28% a Flávio.

A correlação, contudo, não indica causa. A média de um estado esconde milhões de escolhas diferentes, e a renda anda junto com região, idade, religião e escolaridade. O dado mostra um padrão, e não o motivo do voto de cada eleitor.

O empate do Norte

No Norte, a disputa terminou praticamente empatada. Lula teve 5.024.626 votos, 50,01% dos válidos da região, e Flávio, 5.023.547. A diferença foi de 1.079 votos.